terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Papagaio abusado faz sucesso na net

"Dá o pé meu loro"
Veja só que papagaio mais folgado e malcriado esse loro!

SEM LIGAÇÃO ASFÁLTICA, CIDADE DE DOM INOCÊNCIO VIVE DÉCADAS DE DESCASO

GOVERNADOR ASSEGUROU RETOMADA DO ASFALTO EM MAIO DE 2016, MAS EM DEZEMBRO AS OBRAS PARARAM; POPULAÇÃO SOFRE COM O DIFÍCIL ACESSO

Gustavo Almeida do política dinâmica
24/01/2017 08:31 - Atualizado em 24/01/2017 09:10
Ponte inacabada sobre o riacho Fazenda do Meio (Foto: Maria Amélia Almeida)
Ponte inacabada sobre o riacho Fazenda do Meio (Foto: Maria Amélia Almeida)
Um verdadeiro retrato do descaso político e da falta de sensibilidade dos governantes com o povo. Essa é a realidade em que vive o pacato município de Dom Inocêncio, a 615 km de Teresina. Há exatamente um ano, a cidade ganhava repercussão estadual devido as enchentes que deixaram famílias desabrigadas e todas as estradas interrompidas com a cheia de riachos. Sem ligação asfáltica, ninguém chegava ou saía.
A grande repercussão revelou ao Piauí um descaso com os moradores da região. Todos os acessos para as cidades vizinhas são de estradas de chão, cortadas por riachos e que viram um verdadeiro lamaçal nos períodos chuvosos. Após as enchentes de 2016, o governador Wellington Dias (PT) assinou ordem de serviço na comunidade Ingazeira e garantiu que a estrada estaria asfaltada ainda naquele ano. Nada mudou.
Enchentes de 2016 deixaram cidade isolada (Foto: Divulgação/Prefeitura de Dom Inocêncio)Enchentes de 2016 deixaram cidade isolada (Foto: Divulgação/Prefeitura de Dom Inocêncio)
A OBRA
O asfaltamento da estrada é um dilema da região. São cerca de 80 km para ligar Dom Inocêncio à PI-140, em São Lourenço do Piauí, caminho que é via de acesso a São Raimundo Nonato, cidade polo da região. Após anos de promessas, as obras começaram em 2011, no governo de Wilson Martins (PSB). Ao todo, 18 km foram asfaltados e uma das três pontes sobre os riachos foi concluída, mas a obra parou meses depois. Somente em 2016, devido às enchentes, lembrou-se dela novamente.

Após a ordem para retomar o asfaltamento dada por Wellington Dias, máquinas e operários da construtora Jurema começaram a trabalhar em ritmo intenso, o que fez o povo acreditar na promessa de conclusão até dezembro. Apesar disso, nenhum quilômetro a mais de asfalto foi feito e atualmente as obras estão totalmente paradas e sem previsão de retomada.
Trabalhadores deixaram o canteiro de obras (Foto: Maria Amélia Almeida)Trabalhadores deixaram o canteiro de obras (Foto: Maria Amélia Almeida)
Os poucos serviços realizados após as enchentes foram apenas de terraplanagem e construção das colunas de uma outra ponte, sobre o riacho Fazenda do Meio. Quando assinou a ordem de serviço para retomada em maio de 2016, o governador afirmou em tom confiante: “Vamos iniciar a todo vapor e conseguir entregar a nova estrada até o fim do ano”. O ano acabou e o sonho da obra concluída ainda continua distante.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagens do Piauí (DER), Dom Inocêncio, que tem 28 anos de emancipação política, é um dos quatro municípios do estado que não possuem acesso com estrada asfaltada. Além dele, Morro Cabeça no Tempo, Domingos Mourão e Canavieira também vivem a mesma realidade.
MILHÕES INVESTIDOS
Os 18 km asfaltados em 2011, ainda na gestão Wilson Martins, tiveram recursos na ordem de R$ 10 milhões de emenda parlamentar do deputado federal Marcelo Castro (PMDB), que é bem votado na região, e outros R$ 10 milhões de uma operação de crédito do governo do estado, conforme informou ao Politica Dinâmica o próprio ex-governador.

Nos períodos chuvosos, riachos dificultam acesso ao município (Foto: Lídio Paes de Lima)Nos períodos chuvosos, riachos dificultam acesso ao município (Foto: Lídio Paes de Lima)
Segundo ele, os recursos da emenda parlamentar foram todos utilizados no trecho que atualmente está asfaltado, mas apenas uma pequena parte do dinheiro do estado foi aplicada à época. Wilson alegou que não houve tempo de fazer o outro trecho, mas que o dinheiro ficou na conta quando deixou o governo.
“O que eu sei é que nem a parte que eu deixei o recurso dos R$ 10 milhões, dentro de um programa, foi concluída. Esse dinheiro não dava para fazer a obra toda, mas daria para fazer outra etapa. Lá a dificuldade é porque é de difícil acesso, muito cara e longe. Cada governo tem que fazer um pedaço”, falou.
Riachos impediram tráfego em 2016 (Foto: Divulgação/Prefeitura de Dom Inocêncio)Riachos impediram tráfego em 2016 (Foto: Divulgação/Prefeitura de Dom Inocêncio)
GOVERNO E CONSTRUTORA DIVERGEM

Há mais de um mês os trabalhadores deixaram o canteiro e a obra está parada. Procurada pelo Politica Dinâmica, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) informou que todos os pagamentos à construtora Jurema estão em dia e “acredita” que a empreiteira tenha parado as obras por conta do início das chuvas na região.

A Seinfra ainda alegou que “talvez” a maior dificuldade enfrentada na obra seja por conta do clima, mas disse que todos no órgão estão empenhados em concluí-la. Ainda conforme a secretaria, R$ 5 milhões já foram investidos pela gestão de Wellington Dias no asfaltamento da estrada e que a retomada da obra depende apenas da Jurema.
Em maio de 2016, W. Dias assinou ordem de serviço e prometeu conclusão em sete mesesEm maio de 2016, W. Dias assinou ordem de serviço e prometeu conclusão em sete meses
Já a construtora Jurema disse que executou o que lhe foi pago para executar e depois disso parou os serviços. A empresa não falou em chuvas na região. Segundo a empreiteira, o governo do estado não está devendo, mas novos recursos não foram colocados para que a empresa continuasse a obra. Com a conclusão daquilo que foi pago para fazer, a construtora retirou seus trabalhadores e disse que aguarda novos investimentos do governo para dar prosseguimento ao lendário asfaltamento.

Adutora Padre Lira está parada há seis meses

Gustavo Almeida do Política Dinâmica

Em janeiro de 2013 a vinda da então presidente Dilma Rousseff ao Piauí trouxe esperança a milhares de sertanejos de Dom Inocêncio, a 615 km de Teresina. Na ocasião, ela assinou a ordem de serviço para a construção da adutora Padre Lira, que levará água do açude Jenipapo até a cidade. O evento no município de São Julião teve discursos confiantes do ex-governador Wilson Martins e do então ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra.
Conforme o cronograma, a obra seria concluída em 2014, mas não foi o que aconteceu. Quatro anos depois, a construção da adutora se arrasta em meio a caatinga e para piorar, as obras pararam há cerca de seis meses. O sistema adutor Padre Lira, nome dado em homenagem ao fundador de Dom Inocêncio, tem uma extensão de 50 km. Além da cidade, ele deve abastecer comunidades da zona rural localizadas próximas ao percurso da tubulação.
Valas abertas da adutora são tomadas pelo mato (Foto: Maria Amélia Almeida)
Os recursos para construção da adutora são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Apesar do dinheiro ser destinado pelo governo federal, o estado do Piauí é o responsável pela execução da obra. Dos R$ 16 milhões contratados para a construção, R$ 11 milhões são para aquisição de tubos e conexões, enquanto os outros R$ 5 milhões são para executar as obras, como fazer a perfuração das valas e a construção das caixas d’água.
Ao Política Dinâmica, o Ministério da Integração Nacional informou que já foram repassados R$ 11.830.224,00 (onze milhões, oitocentos e trinta mil, duzentos e vinte e quatro reais) para que o governo do estado toque as obras, o que corresponde a quase 75% do valor total. Sem nenhum operário trabalhando desde a metade de 2016, as valas abertas para colocação dos tubos já estão cheias de mato e o sonho da água nas torneiras vai sendo mais uma vez adiado para os sertanejos de Dom Inocêncio.
Caixas d'água da adutora nunca foram instaladas (Foto: Maria Amélia Almeida)
A moradora Glória Nunes conta que quando a obra foi anunciada imaginou que logo fosse deixar de comprar água ou depender dos carros-pipa para abastecer sua casa na zona urbana de Dom Inocêncio. Ela conta que a adutora, uma vez concluída, vai melhorar a qualidade de vida de todos os moradores e por isso lamenta a paralisação das obras.
“Eu acreditei que esse nosso sonho fosse ser realizado cedo devido as obras terem iniciado em uma velocidade que logo seriam concluídas. Acho uma falta de respeito com o povo. Sem dúvida falta interesse dos governantes a nível municipal e estadual. Quando terminarem a obra vão aparecer muitos querendo dizer que lutaram pela conclusão”, disse.
Adutora abastecerá a cidade de Dom Inocêncio (Foto: Gustavo Almeida/PoliticaDinamica)
GOVERNO SE EXPLICAProcurado pela reportagem, o governo do estado alegou que as obras pararam porque a empresa responsável pelo fornecimento dos tubos atrasou a entrega do material, mas não disse quando a construção deve ser retomada. O governo informou ainda que o valor final da obra deve passar dos R$ 16 milhões devido a “reajustamentos contratuais”.
A administração estadual também alega dificuldades como atrasos nos depósitos dos recursos conveniados, o que acaba afetando a velocidade da obra. Apesar dos impasses, o governo afirma que 70% das obras da adutora já estão executadas e que a previsão de conclusão é para junho deste ano. Enquanto isso, muitos moradores chegam a pagar até R$ 250 por uma pipa de água nos rincões do município.